quinta-feira, 28 de junho de 2012

É possível ser otimista na era da Pós-Modernidade?

A proximidade dos contrários



A gama de invenções e ideias trazidas com o tempo, consumidor de momentos e eventualidades descortinadas pela vida, segue uma velocidade assustadora. O ser humano por direcionar-se em um caminho repleto de responsabilidades e compromissos, vê-se envolto a uma trama de vias indeterminadas, quiçá tortuosas, que só o tempo em conjunto com a capacidade individual poderá delinear os eixos que esse caminho tomará.

A Pós-Modernidade instaurou a lógica do ser- robotizado, que age conforme o montante maciço de obrigações a se resolverem em fator de instantes milimétricos, visando sobressaltadamente a potencialidade da máquina-motriz desse contingente de lataria fina que a humanidade se constituiu, ou vem sendo envolvida a passos largos. O capitalismo e sua fissura hiperbólica por lucros gritantes, apesar de almejar bons frutos ao potente setor mercadológico, acabam esquecendo-se, em razão da ambição desmedida, da parcela laborativa de toda essa rede.

Logo, o otimismo do futuro acarreta prejuízos ao presente individual, pois o tempo corrente se reserva a solucionar problemas de cunho trabalhista, minando pouco a pouco a liberdade, o lazer, o descaso em prol de um futuro recheado de incertezas. Será que ainda assim, o otimismo galgou ares condizentes à sua essência?

A Pós-Modernidade instituiu estilos e modos de vida que exalam novidades, muitas delas com tons não tão vistosos e confortáveis. As invenções verificas no mundo tecnológico-informacional possibilitou um magnífico avanço na potencialidade criativa, que age a serviço da interatividade, do intercâmbio de ideias gerais, atestados no campo virtual, visto que no mundo material, em razão da frenética rotina inerente à série de agitos a se descomplicarem com o perpassar dos dias, o contato proximal e tangível torna-se dificultado.

Por isso, a competitividade e a tendência meritocrática empresarial ativam intensamente o afastamento, a disputa entre funcionários por cargos de mais valor. O capitalismo incita a selvageria entre os homens. Como diria Thomas Hobbs, “o homem é o lobo do próprio homem.” A vontade voraz por se elevar tendo o outro como degrau, reflete o processo de animalização e de primitivismo da própria era de latente “boom” de avanços ininterruptos nos setores modernizantes. A modernização encontra-se, quem sabe, mascarada.

Com tantas situações novas surgindo em níveis galopantes, o otimismo acaba nos tragando e nos levando a adentrar nessa atmosfera de superávits, desenvolvimento, balança econômica com cotações positivas e afins. Em meio a tanta pragmaticidade, a razão desbanca a emoção em ordens estratosféricas. O indivíduo tende a assumir uma postura mais animalesca e brutal, do que dançar ritmada e afetivamente conforme a “chuva”. Chuva essa que traz ao mesmo tempo renovações aos setores estruturais da sociedade, à mente humana, encarregada de seguir uma lógica com trajetos de ilogicidade em relação aos transtornos de personalidade advindos dessa trama de obrigações e compensações empregatícias.

O otimismo e o pessimismo andam lado a lado. Enquanto o primeiro caracteriza os olhos com que o futuro é visto, o segundo refere-se à anomia, ao egocentrismo, à apaticidade frente ao alheio, marcas estas, coligadas ao progressivo avanço vislumbrado no pavor. O futuro mostra-se brilhante, mas de quê adianta tê-lo se a humanidade apresenta-se cada vez mais estrangeira em seu próprio território, não sabendo sequer mostra-se avante no processo de socialização?

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A Valorização do Aluno, do Professor e da Escola

       Nas escolas que observei ao longo de dez anos de trabalho sob o prisma das relações e práticas que se estabelecem entre os sujeitos que, direta ou indiretamente, delas fazem parte, percebi a importância da construção de mecanismos de valorização, cujo funcionamento, na maioria das vezes, se dá no sentido do resgate de suas identidades. O olhar respeitoso do outro pode provocar uma série de mudanças nos comportamentos e atitudes dos jovens e dos professores, significando valorização e reconhecimento social.
       A existência social se dá essencialmente pelo olhar do outro segundo pensadores da sociedade. Dessa forma, no que tange aos processos educacionais, essa premissa torna-se, particularmente, imprescindível.
       Nesse contexto, um passo importante para a mudança ocorre no momento em que a direção possibilita a abertura do espaço escolar para os demais atores. A inovação passa por legitimação dessa direção junto aos alunos e aos professores, por meio de estratégias de valorização destas que, sem dúvida, são suas figuras mais importantes.
       Participar ou não de experiências inovadoras ou de "projetos" desenvolvidos na escola parece vincular-se a uma complexidade de percepções - por vezes ambivalentes - evidenciadas pelos professores, que veem a si próprios como idealistas, amigos, "repassadores" de conhecimento, opressores e oprimidos, lidandocom alguns alunos que ora merecem investimentos afetivos, ora advertências.
       A estratégia de "valorização" revela uma visão da escola que a considera para além de um lugar de aprendizagem, na medida que exerce funções de cuidado e atenção para com o outro, fato que repercute positivamente.
       A valorização dos alunos se dá na medida em que a escola lhes dá ouvidos e considera as suas opiniões, criando mecanismos onde suas sugestões, referentes a mudanças que gostariam de ver implantadas, são analisadas, sendo suas decisões posteriormente socializadas.
       No que se refere a valorização dos professores, muitos desses estabelecimentos têm investido em ações capazes de gerar um clima de satisfação entre eles, caracterizado por acolhimento, suporte e condições que para que desenvolvam um bom trabalho. Assim, o bom entrosamento, o coleguismo, a abertura e o incentivo a ideias novas tornam-se marcas importantes.
       Uma fonte de motivação diz respeito aos aspectos "humanizadores" dos projetos desenvolvidos pela escola. Sentem-se recompensados pelos bons resultados obtidos pelos seus alunos nas provas "Provinha Brasil e "Exame Nacional do Ensino Médio", pelo fato de se afastarem das drogas e por alcançarem uma consciência cidadã.
       Há, entre os professores, a consciência de que a profissão encontra-se socialmente desvalorizada e de que o salário que recebem não é digno. Assim, um modo de responder ao descaso governamental é justamente fazer um trabalho de bom nível. Os projetos, portanto, tornam-se formas de resistência e militância pela educação.
       Outro fato constatado é o grande número de escolas centradas no desenvolvimento de ações que valorizem a promoção de uma identidade étnica, atentando ao exercício dos direitos culturais dos jovens. Assim, a pluralidade da sociedade é trabalhada a partir da incorporação de atividades capazes de refleti-la e refrata-la.
       O exercício do diálogo entre alunos, professores e diretores assume um papel importante nas escolas inovadoras, tornando-se, possivelmente, instrumento político essencial a uma reestruturação de suas práticas cotidianas. A direção deveria abandonar a caráter centralizador que historicamente lhe foi atribuido e estabelecer relações de respeito e paridade com toda a comunidade escolar.
      O diálogo cria a possibilidade de se estabelecerem relações de amizade entre alunos e professsores, alunos e gestores e, a mais importante, professores e gestores. Quando toda a comunidade escolar estiver envolvida em uma nova atitude de carinho e respeito, a educação conseguirá contribuir para a resignificação da imagem da sociedade que ela cria.

domingo, 4 de março de 2012

Os Paradoxos da Sociedade Contemporânea: ser e ter, ou ter e ser?

Sua alma pelo mundo




O velho clichê do capitalismo selvagem serve a nós como exemplo vívido de que a lei do mais forte vem remanescente desde a época dos primórdios e, feito nossa espécie, ganhou alterações: diante da competição predatória não é o mais forte vencedor da batalha, mas sim o mais “apto”. E adivinhe? Mais apto é aquele com mais dinheiro. Continuamos ambientados em selvas cada vez mais elaboradas que trazem consigo novas metodologias e hipocrisias. Para aqueles que largaram o moralismo de lado enxergam o óbvio; rodamos no gira-gira do dinheiro.
Não falta admiração por aqueles que supostamente menosprezam o dinheiro, quando não são ricos, claro. É fácil recusar quando já se tem demais. Da classe média para baixo, estão todos em suas corridas individualistas pelo quê a riqueza os proporcionaria. Os motivos variam desde subsistência até cair nas costas do sistema. Declarar pobreza de espírito aos quatro ventos não parece um bom negócio em uma sociedade tão cheia de “bons costumes”, a moral afinal saturou-se, metamorficou-se e agora é hipócrita. Fica feio dizer que faria tudo pelo dinheiro, mas fica fácil de absorver se lhe proporcionam aquilo que deseja. Eu jamais recusaria uma viagem com tudo pago. E alguém em sua sã consciência rejeitaria aquilo pelo que batalha?
Que digam o contrário, mas eu acho que o ser humano foi, é e sempre será movido pelas conquistas. Do fogo a armas, passando por territórios indo por interesses pessoais, até chegar nas descobertas científicas. Ávidos pelo conhecimento, desejamos sempre mais, vivemos para consumir, para ter. Essa é a ascensão e maldição do homem. Lutamos por quilo que não temos, já disse Napoleão. De falsa virtude já estamos cheios, queremos conforto em detrimento da dita conformidade. A maioria está tão reclusa em seus objetivos que se esquecem dos reais motivos de levantarem às seis da manhã, dirigem horas por congestionamentos, para passarem o dia em um ambiente comum, pois queremos o dinheiro no final do mês. Não seria esse o principal motivo, seja qual for o fim?
Não sou “lá alguém” para julgar os outros, mas isso é inerente ao ser humano, afinal somos máquinas elitistas. Se existimos com o objetivo de ter e conquistar por que desvirtuar tanto a realidade com hipocrisia recalcada e santidade fugaz? Fácil isso também é inato a nós. Manter a consciência limpa e leve é o que vale. Abandone a sua vida e estará acima do dinheiro, até lá eu digo que quem vende a alma pelo mundo ludibria a consciência leve e pesa os bolsos em moedas.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Desentendimentos entre crianças e adolescentes: problema a ser resolvido pelos adultos ou pelos próprios envolvidos?

                                                  Brincadeira tem limite



Desde os primórdios da humanidade, os indivíduos carregam consigo instintos que o levam a agressividade. Tal aptidão se manifesta logo na infância, sendo controlada ao longo do período de formação do ser humano para que não atinja patamares exacerbados. Entretanto, um fato que alarma a sociedade pós-moderna é a negligência no enfrentamento entre crianças e adolescentes, isso porque o mesmo pode cedes lugar a adultos violentos e descontrolados.


Recentemente, uma nova linha de pensamento tem afirmado a necessidade de que picuinhas entre crianças e adolescentes devem ser resolvidas pelos próprios, sem o envolvimento de adultos. Nesse sentido, a agressão é tratada como um traço adaptativo. Não discordo que agressões servem para a adaptação do ser humano, mas de maneira que o torne responsável e consciente daquilo que é errado e desrespeitoso. Devido a isso, afirmo a necessidade da intervenção de pais e educadores. Uma simples picuinha pode tomar proporções inimagináveis caso não seja devidamente encarada.


Colocar em pauta tal desavença entre os jovens e justifica-la com os velhos clichês de que é uma “fase de adolescente”, “isso passa com o tempo” e “brincadeira de criança” é simplesmente vendar a realidade. Coloco assim as minhas mais sinceras desculpas quanto à opinião da professora de Psicologia da Universidade de Kentucky, Mônica J. Harris que apresenta a agressão como algo adaptativo, deixando a entender que uma intervenção familiar ou do corpo docente seriam inapropriados, já que se romperia a oportunidade de adaptação dos envolvidos enquanto se desentendessem.


Firmo-me em Freud, que já dizia que a sociedade estaria condenada a desintegração por causa da hostilidade entre os homens, sendo este o motivo de existir sim uma intervenção como medida de proteção a nossa própria espécie e a um convívio social mais saudável. Logo, é preciso trabalhar no seio familiar a questão da não agressão físico-psicológica para com os filhos, já que crianças que sofrem agressões em casa são potencialmente mais propícias quando mais velhos a extravasarem tal período passando a ser o agente hostil do contexto, criando muitas vezes situações conflituosas no meio que vive.


Vejo que é durante a infância e adolescência que criamos a nossa primeira edição, que seria o período que aprendemos a noção do certo e do errado e para que isso ocorra os pais precisam colocar em prática a disciplina, regras e um diálogo aberto para compreender melhor seus filhos. Quanto aos educadores estes devem caminhar de forma conjunta aos pais, ficando atentos ao comportamento do aluno, para que, caso chegue a um desentendimento, tentam nos pais o apoio para intervir e solucionar a questão.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Nascemos Com Um Senso De Moralidade?

Moral: um bem que perpassa gerações

                A sociedade humana encontra-se atrelada a uma série de princípios básicos de comportamentos ideais a serem adotados diante de toda e qualquer situação, a fim de que nenhuma pessoa cometa desvios de regra, percalços de posturas que cheguem a afligir aqueles que já se encontram alinhados aos padrões básicos e tradicionais de exibição perante o coletivo. Esse conjunto de regras, exigências e prontidão de qualidades sociais estão enquadrados no conceito de “moral”, que abrange fundamentalmente os quesitos apostes que caracterizam um indivíduo como ser sociológico, que preserva a realização frequente de ações construtivas que favoreçam a elevação do caráter, da ética geral.
                O tempo promove a aglomeração de aprendizados, conclusões ou de modo primário, “morais”, acerca dos acontecimentos corriqueiros, que possuem como foco de alcance o ser-humano em seu estado de “aprendiz da vida” e das situações que a mesma lhe proporciona, pois é por meio do contato cotidiano com o próximo que o indivíduo é capaz de identificar o teor de falhas das atitudes, das palavras proferidas pelo outro, das soluções tomadas para finalizar o caso exposto, constatando ao final de cada diálogo se o desfecho alcançado foi, de fato, o mais viável para ambas as partes, observando se a tal conclusão propiciou ou não o rompimento de valores morais.
                Se sim, acarretou em prejuízos, pois feriu uma virtude já arraigada não só na base de elementos prioritários e regentes do visual de atitudes humanas como também no imaginário coletivo, ou seja, os pontos cardeais, norteadores do ser público são essencialmente os elementos morais. Tais partes integrantes já existem em nosso pensamento, organismo, desde quando nascemos, pois inicialmente já somos colocados em contato com um leque de posturas ideais e reprováveis, por irem de acordo ou contra aos princípios triviais de atuação em sociedade.
                Então, por estarmos já cientes do que é “certo” e do que é “errado”, do ponto de vista comportamental, da postura ética e cidadã em relação às vias de visualização das ações humanas, é como se já tivéssemos cravado em nossa consciência um dispositivo capaz de detectar atos condizentes e não correspondentes ao estabelecimento das normas de ordem pública, retentoras de desvarios, posturas desviantes e de colapso que insinuam a quebra da ordem moral. Portanto, a moral já nos seria um instinto, uma tendência espontânea que possuímos de realizar atitudes que convém com a trama moralista.
                Espero que vocês após esta breve explanação sejam capazes de concordar com a premissa de que a moral acompanha os avanços humanos verificados na progressão temporal, ou seja, é fruto de um processo sócio-histórico, não estando fadada a modificações profundas por estimular modos de postura, de opiniões abundantemente enquadradas como de fato concisas, respeitosas e inerentes ao bem-estar social.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Drogas: falta (co)operação

Ação Policial e Social

                      O sacrificante problema relacionado ao uso de drogas vem entorpecendo os não adeptos dessa prática, e mais, amedrontando-os. A dimensão dessa realidade é tão devastadora que foge do controle público, ético e moral. Cada vez mais jovens se perdem ao buscar a promessa da liberdade trazida por tais drogasse além de desrespeitarem a sua própria saúde, colaboram (in)diretamente para o crescente número de traficantes. A seriedade dessa situação já é discutida a tempos, mas medidas efetivas precisam ser colocada em prática para que haja uma mudança.
                Diante disso é necessário um encadeamento de medidas bem elaboradas e viáveis, criadas por poderes superiores, que além de gerar resultados garantam a adesão social para essa luta. Essas medidas devem pautar todas as faces da causa, desde o “não-inserimento” de novos jovens ao vício, como a saída dos já inseridos. Para isso é preciso, primeiramente, solidificar as bases familiares de cada indivíduo, garantindo-lhes um ponto de apoio ao estresse cotidiano. Ao criar novas oportunidades de sucesso profissional haveria uma maior estabilidade financeira, diminuindo a motivação dos jovens de entrar para tal mundo em busca do dinheiro fácil.
                Não obstante, é extremamente importante que ajudemos os já viciados. Para isso, é necessário que se torne as clínicas de reabilitação um local agradável, mostrando ao drogado como é possível conseguir os seus objetivos sem ser preciso o uso de drogas. Garantindo o tratamento dos dependentes químicos tiraríamos da máfia grande parte de seus consumidores, o que diminuiria significativamente o giro econômico ao redor dessa prática.
                Os traficantes, que devem ser olhados como desobedientes da lei, precisam de rigorosa fiscalização para combater a sua atuação. Para que haja a efetiva fiscalização, a remuneração (assim como o treinamento dos responsáveis por tal) deveria ser melhorada. Isso acarretaria na diminuição de no índice de corrupção por parte dos policiais e melhor captura dos policiais.
                Todavia, a população precisa se mobilizar. Contribuir com a ação policial através de denúncias e com ação social através da disseminação da campanha preventiva é fundamental para o sucesso da operação. Nas comunidades menos favorecidas, seria ideal a apresentação de informações relacionadas ao assunto; e nas comunidades de alto padrão, um direcionamento para que se possa absorver as informações das quais já se tem acesso.
                Coma união das diversas medidas aqui apresentadas diminuiríamos o risco causado pela droga à sociedade atual e tornaríamos mais sutil o índice de violência, assim como desenvolveríamos a ética e a moral dos cidadãos. A população só tenderia a ganhos, garantindo o progresso econômico da cidade, bem como a ordem.