A proximidade dos contrários
A gama de invenções e ideias trazidas com o tempo, consumidor de momentos e eventualidades descortinadas pela vida, segue uma velocidade assustadora. O ser humano por direcionar-se em um caminho repleto de responsabilidades e compromissos, vê-se envolto a uma trama de vias indeterminadas, quiçá tortuosas, que só o tempo em conjunto com a capacidade individual poderá delinear os eixos que esse caminho tomará.
A Pós-Modernidade instaurou a lógica do ser- robotizado, que age conforme o montante maciço de obrigações a se resolverem em fator de instantes milimétricos, visando sobressaltadamente a potencialidade da máquina-motriz desse contingente de lataria fina que a humanidade se constituiu, ou vem sendo envolvida a passos largos. O capitalismo e sua fissura hiperbólica por lucros gritantes, apesar de almejar bons frutos ao potente setor mercadológico, acabam esquecendo-se, em razão da ambição desmedida, da parcela laborativa de toda essa rede.
Logo, o otimismo do futuro acarreta prejuízos ao presente individual, pois o tempo corrente se reserva a solucionar problemas de cunho trabalhista, minando pouco a pouco a liberdade, o lazer, o descaso em prol de um futuro recheado de incertezas. Será que ainda assim, o otimismo galgou ares condizentes à sua essência?
A Pós-Modernidade instituiu estilos e modos de vida que exalam novidades, muitas delas com tons não tão vistosos e confortáveis. As invenções verificas no mundo tecnológico-informacional possibilitou um magnífico avanço na potencialidade criativa, que age a serviço da interatividade, do intercâmbio de ideias gerais, atestados no campo virtual, visto que no mundo material, em razão da frenética rotina inerente à série de agitos a se descomplicarem com o perpassar dos dias, o contato proximal e tangível torna-se dificultado.
Por isso, a competitividade e a tendência meritocrática empresarial ativam intensamente o afastamento, a disputa entre funcionários por cargos de mais valor. O capitalismo incita a selvageria entre os homens. Como diria Thomas Hobbs, “o homem é o lobo do próprio homem.” A vontade voraz por se elevar tendo o outro como degrau, reflete o processo de animalização e de primitivismo da própria era de latente “boom” de avanços ininterruptos nos setores modernizantes. A modernização encontra-se, quem sabe, mascarada.
Com tantas situações novas surgindo em níveis galopantes, o otimismo acaba nos tragando e nos levando a adentrar nessa atmosfera de superávits, desenvolvimento, balança econômica com cotações positivas e afins. Em meio a tanta pragmaticidade, a razão desbanca a emoção em ordens estratosféricas. O indivíduo tende a assumir uma postura mais animalesca e brutal, do que dançar ritmada e afetivamente conforme a “chuva”. Chuva essa que traz ao mesmo tempo renovações aos setores estruturais da sociedade, à mente humana, encarregada de seguir uma lógica com trajetos de ilogicidade em relação aos transtornos de personalidade advindos dessa trama de obrigações e compensações empregatícias.
O otimismo e o pessimismo andam lado a lado. Enquanto o primeiro caracteriza os olhos com que o futuro é visto, o segundo refere-se à anomia, ao egocentrismo, à apaticidade frente ao alheio, marcas estas, coligadas ao progressivo avanço vislumbrado no pavor. O futuro mostra-se brilhante, mas de quê adianta tê-lo se a humanidade apresenta-se cada vez mais estrangeira em seu próprio território, não sabendo sequer mostra-se avante no processo de socialização?
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