Sua alma pelo mundo
O velho clichê do capitalismo selvagem serve a nós como exemplo vívido de que a lei do mais forte vem remanescente desde a época dos primórdios e, feito nossa espécie, ganhou alterações: diante da competição predatória não é o mais forte vencedor da batalha, mas sim o mais “apto”. E adivinhe? Mais apto é aquele com mais dinheiro. Continuamos ambientados em selvas cada vez mais elaboradas que trazem consigo novas metodologias e hipocrisias. Para aqueles que largaram o moralismo de lado enxergam o óbvio; rodamos no gira-gira do dinheiro.
Não falta admiração por aqueles que supostamente menosprezam o dinheiro, quando não são ricos, claro. É fácil recusar quando já se tem demais. Da classe média para baixo, estão todos em suas corridas individualistas pelo quê a riqueza os proporcionaria. Os motivos variam desde subsistência até cair nas costas do sistema. Declarar pobreza de espírito aos quatro ventos não parece um bom negócio em uma sociedade tão cheia de “bons costumes”, a moral afinal saturou-se, metamorficou-se e agora é hipócrita. Fica feio dizer que faria tudo pelo dinheiro, mas fica fácil de absorver se lhe proporcionam aquilo que deseja. Eu jamais recusaria uma viagem com tudo pago. E alguém em sua sã consciência rejeitaria aquilo pelo que batalha?
Que digam o contrário, mas eu acho que o ser humano foi, é e sempre será movido pelas conquistas. Do fogo a armas, passando por territórios indo por interesses pessoais, até chegar nas descobertas científicas. Ávidos pelo conhecimento, desejamos sempre mais, vivemos para consumir, para ter. Essa é a ascensão e maldição do homem. Lutamos por quilo que não temos, já disse Napoleão. De falsa virtude já estamos cheios, queremos conforto em detrimento da dita conformidade. A maioria está tão reclusa em seus objetivos que se esquecem dos reais motivos de levantarem às seis da manhã, dirigem horas por congestionamentos, para passarem o dia em um ambiente comum, pois queremos o dinheiro no final do mês. Não seria esse o principal motivo, seja qual for o fim?
Não sou “lá alguém” para julgar os outros, mas isso é inerente ao ser humano, afinal somos máquinas elitistas. Se existimos com o objetivo de ter e conquistar por que desvirtuar tanto a realidade com hipocrisia recalcada e santidade fugaz? Fácil isso também é inato a nós. Manter a consciência limpa e leve é o que vale. Abandone a sua vida e estará acima do dinheiro, até lá eu digo que quem vende a alma pelo mundo ludibria a consciência leve e pesa os bolsos em moedas.
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